Não sou Ladrão, mas ás vezes vacilo….

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Meus prezados internautas, recebi esta crônica, escrita pelo meu grande amigo empresário e psicólogo Ailton Neves, e achei por bem publicá-la neste espaço.  Interessante…… Leiam:

NÃO SOU LADRÃO, MAS ÀS VEZES VACILO……… 

Manter a rotina de cada dia levantar, olhar as notícias, respirar  fundo e ir para o trabalho está cada vez mais difícil….

Ninguém disse que seria fácil, alguém pode retrucar…  Pois  ganhar o pão com suor do rosto, como diz a frase, remete ao esforço que sempre foi  e será árduo.

Mas, mais difícil do que lidar no dia a dia com os afazeres do trabalho é lidar com as notícias do jornal seja ele impresso, televisivo ou online.

Nesta semana tive que lidar com a noticia de um adolescente que foi pego em flagrante em  São Bernardo do Campo – SP, cidade em que vivi por mais de 25 anos, roubando uma bicicleta e teve a testa tatuada com a máxima “Eu sou ladrão e vacilão”.

Como lidar com esta noticia? Meu olhar oscila. Não se fixa, eu vacilo….

Tento olhar para o menor , mas diante do misto de dor e vergonha, só me resta fugir….

Fujo… Desvio meu olhar para os tatuadores, mas não consigo. Como acolher o desejo de perpetuar  a agressão no outro?

Lembro-me  das narrativas dos  crimes de guerra, onde o invasor ao tomar a força a mulher do seu inimigo nutre o desejo de engravidá-la, pois mesmo se perder a guerra , seu inimigo terá que viver  torturado com a imagem de  um bebê, filho de seu odiado invasor.

Por este motivo, alguns estudiosos insistem que em hipótese nenhuma podemos apoiar a tortura. Nem de terroristas… Pois os que rompem este limite ético irão repeti-lo mais e mais vezes em diferentes cenários e ocasiões utilizando sempre  justificativas morais como feito neste caso.

Mas o que fazer?

Sentir dó do menor torturado? Não… Ele não precisa de dó, ele precisar de mais…

Acolher a revolta  daquele que vê dia a dia a “marginalidade” crescendo e tomando a população como refém e fazer justiça com as próprias mãos?  Não… Nós não precisamos disto…

Mas de novo!  O que fazer?  Não sei…  A minha racionalidade não consegue dar conta de tamanha tragédia.

Quem sabe a poesia? A poesia de Neruda, sim esta quase inofensiva arte, quem sabe pode nos ajudar a respirar fundo e seguir em frente…

“É verdade que o mundo não se limpa das guerras, não se lava do sangue, não se corrige do ódio. É verdade. Mas é igualmente verdade que nos aproximamos de uma evidência: os violentos se refletem no espelho do mundo, e seu rosto não é bonito nem para eles mesmos. E continuo acreditando na possibilidade do Amor. Tenho a certeza do entendimento entre os seres humanos, logrado sobre o sofrimento, sobre o sangue e sobre os cristais quebrados.”

Que você tenha uma ótima semana!

Ailton Neves

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