O que temos a dizer?

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O  QUE  TEMOS  A DIZER?  

Uma breve reflexão sobre a necessidade de expressão, a intencionalidade e a possibilidade de interação autentica.

Há muito tempo atrás, quando ainda morava em São Paulo, tinha um amigo no trabalho, isto mesmo, um amigo não era um colega de trabalho, que tinha criado um Blog.

Na época, fiquei admirado, pois tínhamos uma dinâmica desafiadora e estressante no trabalho e eu ficava pensando como o Alejjandro, este meu amigo, iria conseguir tempo e disposição para publicar, todo dia ou toda semana, algo novo e relevante no blog.

Isto me gerou também uma reflexão: Algum dia eu teria tempo e disposição para assumir e manter um compromisso desta natureza? Escrever e publicar toda semana? O que eu teria para dizer?

Com o advento dos youtubers, termo a que fui apresentado pela minha filha há pouco mais de um ano, com suas postagens semanais, seus milhões de seguidores e seus bilhões de “likes”, outras perguntas surgem: – Quais são suas motivações? Qual a razão de tanto sucesso?

Alguém poderia rapidamente responder: Ah… Querem apenas fazer sucesso e ganhar dinheiro.

Não sei… Recentemente um destes youtubers, em um programa de entrevistas, revelou que sempre que recebe a pergunta: – Como faço para fazer vídeos no youtube, ficar famoso e ganhar dinheiro? Ele dá sempre a mesma resposta: – Desista!

Com a desenvoltura que é típica dos Youtubers, ele afirmou que se alguém tiver a iniciativa de gravar um vídeo com esta intenção não parecerá “de verdade” e não terá os seus tão almejados “likes”.

Entendo que nesta dinâmica de posts nas mídias sociais, dar um “like” significa um tipo de feedback.  Soa como  breve desejo de interação. Já quando alguém se inscreve no canal, e se torna um seguidor, apesar de serem nomeados “amigos” estão ainda distante da relação rasa e superficial típica de colegas de trabalhos.

Não querendo entrar na questão do carisma, marcante desta  geração de youtubers, parece que para conseguirmos dizer algo, seja través de um blog, um vídeo na internet, um post no facebook e acredite, até na vida real, careceremos sempre de autenticidade.

Vale a pena ressaltar que a intencionalidade estará sempre, em menor ou maior grau, presente na interação. Pode aparecer de forma escancarada, descobrindo os objetivos que podem ser escusos ou não, mas pode estar presente também de forma velada… Nas entrelinhas…

E se a intencionalidade, assim como a água que ao ser retida na mão, escorre entre frestas dos dedos, que possa escorrer limpa e cristalina…

Talvez, assim como a arte e o riso nos alivia a dor de existir e funciona como forma de economia de energia psíquica, escrever um blog, postar um vídeo, fazer um grafite, pode ser uma forma de encontrar o outro e com ele repartir aquilo que sobeja e receber aquilo que por acaso nos falte.

Por fim, ainda que em um dos extremos esteja a dor e no outro esteja o riso, se o que temos para dizer é autentico, ainda que carregado de intencionalidade, vale a pena e deve ser dito.

Uma boa semana!

Ailton Neves

 

Ailton Neves, casado, 2 filhas, natural de  Ipatinga, onde morou até os 21 anos, quando migrou para São Paulo para trabalhar, estudar e  onde viveu por 25 anos.

Formado em  Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo, Pós graduado em Gestão da Qualidade em Alimentos pela Universidade São Judas – SP, Pós graduado em Governança de TI pelo IPT-USP e MBA em Gestão Empresarial pela Business School São Paulo.

Trabalhou em grandes empresas como Nestlé,  General Motors e Toshiba do Brasil. Atuou nos ultimos anos em cargos de Gestão na área  de Tecnologia da Informação.

Retornou para Ipatinga onde atua como Psicólogo Clínico, além de empresário á frente do Petit Café, uma cafeteria  que onde você encontra café e Cultura.

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