UM NOVO BRASIL, SIM, MAS COM RESPEITO  Á COMUNICAÇAO

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E quando menos pensávamos, eis que já estávamos novamente celebrando o Natal: 2018 passou rápido e, claro, vivemos momentos bons e ruins, no Brasil e em outras partes do mundo, de tudo nos inteirando em tempo real, devido aos grandes avanços tecnológicos e à liberdade para a imprensa atuar. Foram catástrofes naturais por avalanches, terremotos, enchentes… sustos diversos com momentos envolvendo pessoas por fenômenos inesperados e também por violência de uns contra os outros; homicídios; barbáries; espancamento e morte de mulheres, no que se vê o aumento do feminicídio, em especial no Brasil. E 2018 foi, no país, um ano definitivo na política: vimos aumentar o número de corruptos presos, ao tempo em que um militar da reserva , o já Deputado Federal por sete mandatos, Jair Messias Bolsonaro, foi eleito Presidente da República, consagração obtida nas urnas com 55,13% dos votos válidos contra 44,87% de seu oponente Fernando Haddad.

Hoje já contamos vinte oito dias de dezembro, e, dentre as notícias mais recentes, chegam-nos absurdos como os que se deram durante todo o ano: nesta quarta-feira/26, o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, 77 anos, foi morto por um ex-assessor dele, Marcos V. Andrade, que, preso, logo confessou o crime.  Segundo disse ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, matou porque Camata moveu contra ele uma ação judicial com bloqueio de R$ 60 mil em sua conta bancária. E, ainda ontem, se viu mais um atentado contra a mulher, quando um homem, fingindo estar em paz com a esposa, tentou matá-la pouco depois. Em consequência, a vítima foi levada à UTI com graves queimaduras; foi mais um registro mostrando  quanto a violência contra a mulher tem crescido no Brasil. Aliás, conforme dados de agosto último, a taxa de feminicídio no pais é alarmante, chegando a 13 mulheres sendo assassinadas,diariamente, taxa equivalente à 5ª maior do mundo.

Quanto a essa violência, cumpre lembrar que a Lei define Feminicídio como “o assassinato de uma mulher, cometido por razões da condição de sexo feminino”, sendo a pena prevista reclusão de 12 a 30 anos. Na verdade, esse é tipicamente um crime de ódio devido à discriminação, opressão, desigualdade, culminando com a morte que, em grande maioria, ocorre com violência extrema, após abusos verbais, físicos e sexuais, como estupro e outras cenas de barbárie. E, pior, um terço dos homicídios de mulheres no mundo, 35%, deles, ocorrem por parte daqueles com quem elas convivem ou conviveram, seus companheiros, conforme já pontuou a Organização Mundial da Saúde,   contra 5% de mortes de homens cometidas por elas contra os parceiros.

Se de um lado há esse crescente temor, outro também terrível é o da violência nas ruas, no comércio, em todo canto, por roubos ou vingança, como no caso do ex-governador supracitado. Há violência, mortes, em todo canto, deixando apavoradas as pessoas que, por medo, passaram a sair menos de casa; se o fazem, evitam andar sozinhas, notadamente se for noite.

Mediante cenário tão deprimente e passando insegurança tamanha, em muitos a esperança ressurge na pessoa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, cuja posse se dará dia 1º de janeiro de 2019, em Brasília, e, por ele próprio ter sido vítima de violência quando  esfaqueado em plena campanha eleitoral, na mineira Juiz de Fora, um inédito sistema de segurança está sendo preparado para o memorável evento, houve até ensaio. A posse se dará em quatro etapas: primeiro, haverá um culto ecumênico na Catedral Nossa Senhora Aparecida; após, ele seguirá em veículo, com a primeira dama, Michele Bolsonaro, para o Congresso Nacional, onde se dará a posse; depois, irá para o Planalto; à noite, coquetel no Palácio do Itamaraty. Até aí, tudo bem, mas é preocupante o que já se ouviu quanto à cobertura jornalística, levando os profissionais a procurarem o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal – SJPDF para registrar reclamações.

Cumpre ressaltar que, de acordo com informações da assessoria de imprensa da equipe de transição de governo, as restrições ao público, no evento, também serão aplicadas aos profissionais de imprensa escalados para trabalhar na cobertura. Não poderão, por exemplo, carregar mochilas e máscaras e sequer circular entre os prédios do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Estranho é que, se tal ocorrer, estará sendo descumprido o que o Ministério Público do Trabalho recomendou, desde 2014, quanto ao uso de equipamentos, as máscaras para gás, capacete e coletes à prova de balas, evitando-se acidentes como o que vitimou o repórter cinematográfico Santiago Andrade.  A tal posicionamento, conforme lembrou uma das coordenadoras da entidade e também presidente do Coletivo de Mulheres Jornalistas, Renata Maffezoli, “o Sindicato pediu bom senso à equipe envolvida na organização do evento, valorizando o momento da posse”. Afinal, como toda democracia, é preciso garantir o direito ao livre exercício da imprensa e a segurança dos jornalistas e radialistas envolvidos na cobertura.

Preocupações lembradas, fato é que o Brasil vê o presidente eleito com muita esperança, o que nos remete à explicação dada pelo Prof. Andrés del Rio, da Universidade Federal Fluminense – UFF, na época da eleição, segundo quem,  Bolsonaro atraiu pessoas que desejavam, no Poder, alguém supostamente de fora do sistema e que fosse mais duro; assim, com mais chance do fim à corrupção e a política  tradicional. Então, Bolsonaro é visto com muito maior chance que um candidato mais democrático, podendo melhor disciplinar a sociedade, coibindo corruptos e outros bandidos.

Dessa forma, desejamos mesmo que Jair Bolsonaro, na política desde 1991,  sempre eleito e em diferentes partidos, hoje no Partido Social Liberal – PSL, oportunize de fato dias melhores a todos os brasileiros e ao país que o elegeu presidente. Que ele, ao lado de outros nomes consagrados nas urnas, muitos pela primeira vez na política, em especial junto de pessoas de sua confiança como o Juiz Federal, Sergio Moro, para Ministro da Justiça, tenha um governo de ótimas realizações nos vários segmentos da vida nacional, permitindo mais dignidade a todas as pessoas, sem tolher  direitos adquiridos. Seja o seu foco o bem do país e do povo brasileiro, estabelecendo metas primordiais para tanto, a exemplo do que fez Moro, tão logo escolhido, pretendendo “implementar forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”.

Margarida Drumond é escritora, jornalista e professora; dentre seus  livros, os romances Um conflito no amor e Doce complicação, e as biografias Dom Luciano, especial dom de Deus e Eu já nasci padre!, sobre Pe. Abdala Jorge.

Contatos: (61) 98607-7680;  [email protected]www.margaridadrumond.com

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