Vereador do partido de Bolsonaro é preso em BH por cobrar ‘rachadinha’

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Segundo a Polícia Civil, Cláudio Duarte teria embolsado R$ 1 milhão em pouco mais de dois anos. Funcionário ficava com R$ 1 mil e devolvia R$ 10 mil

O vereador Cláudio Duarte (PSL) foi preso e afastado de suas funções na manhã desta terça-feira (2), em Belo Horizonte, sob a acusação de cobrar “rachadinha” dos próprios funcionários na Câmara Municipal e ameaçar servidores para que não revelassem o esquema.

Segundo a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, o parlamentar embolsou R$ 1 milhão desde janeiro de 2017, quando iniciou o mandato no Legislativo da capital.

A polícia também pediu – e a Justiça concedeu – a indisponibilidade de bens do vereador, que ficará afastado por 60 dias do mandato.

De acordo com a polícia, a prisão do vereador foi  temporária, ou seja, por prazo máximo de cinco dias.

“Tivemos que sobrestar as investigações porque apuramos que alguns dos funcionários vinham sendo constrangidos a não falar e até ameaçados para que mentissem”, afirmou o delegado Domiciano Monteiro, chefe da Divisão de Fraudes e Crimes contra o Patrimônio.

Além dele, o chefe de gabinete Luiz Carlos Cordeiro também teve prisão temporária decretada. Caberia a ele o recolhimento dos salários dos funcionários.

Organização criminosa

De acordo com o delegado Domiciano Monteiro, o vereador responde pelas acusações de crimes de peculato, concussão, formação de organização criminosa e obstrução da Justiça.

Além de Cláudio e do chefe de gabinete, outros quatro funcionários do vereador também foram afastados das funções. Segundo o delegado, a estimativa é de um desvio de R$ 1 milhão.

A polícia não tem ao certo o número de servidores que participaram da rachadinha mas informou que, nestes pouco mais de dois anos de mandato, 35 contratados passaram pelo gabinete. O delegado afirmou que há fortes indícios do esquema constatados em provas testemunhais e documentais.

Devolvia R$ 10 mil

Segundo Monteiro, os funcionários recebiam os salários e sacavam o dinheiro, devolvendo parte do vencimento ao vereador. De acordo com a investigação, somente um deles, que ganhava R$ 11 mil devolvia R$ 10 mil, ficando apenas com R$ 1 mil. “Tão logo o salário caía na conta, os funcionários tinham de providenciar o saque o repasse em espécie”, explicou o delegado.

Segundo a polícia, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão: nas casas do vereador e do assessor que também foi preso, nos gabinetes na câmara e no Bairro Céu Azul, e na União dos Moradores pelo Desenvolvimento Social do Bairro Céu Azul (UMCA), em Venda Nova.

O vereador foi preso em casa e conduzido ao Departamento Estadual de investigação de Fraudes, onde ele vai prestar depoimento. Já foi pedida vaga para ele no Sistema Prisional do estado.

Computadores e documentos

Sete funcionários do gabinete do parlamentar convidados a prestar esclarecimentos já foram à delegacia.

Além de fazer buscas na residência do parlamentar, onde ele foi preso, os policiais estiveram no gabinete dele na Câmara Municipal de BH e levaram todos os computadores e documentos. No local, funcionários não souberam dizer o motivo, mas confirmaram que ele foi “conduzido”.

O mandado de busca e apreensão é assinado pela juíza Patrícia Santos Firmo e inclui a procura de celulares e outros aparelhos eletrônicos.

A chamada rachadinha é a prática de repartir o salário dos funcionários de gabinete com o parlamentar, mesmo crime que investigado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde o atual senador Flávio Bolsonaro, também do PLS e filho do presidente Jair Bolsonaro, é investigado.

O advogado do vereador, Ênio de Jesus, afirmou que ainda não conhece detalhes do processo. “Vamos verificar o teor da denúncia e qual a fundamentação da prisão preventiva, que neste momento entendemos como absurda”, disse.

Cláudio Duarte é estreante na política e começou o mandato em 2017, com a nova safra de vereadores da Câmara de BH. Ele foi eleito com 4.513 votos pelo partido de Jair Bolsonaro.

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